Hoje eu estava voltando de ônibus do meu estágio em uma Maternidade. Lá estava eu sentada no fundo do veículo, quando de repente um casal entrou, estavam com vestes sujas e com a higiene precária, a mulher parecia ter problemas mentais devido ao comportamento estranho. O homem parecia estar alcoolizado e reclamava de intensa dor. Sentaram do meu lado, confesso que fiquei com um pouco de preconceito e repulsão devido ao odor, porém pensei e disse: Vamos parar de preconceito Priscila? E tentei ficar normal, ele começou a puxar assunto comigo, disse que estava voltando do médico porque está com câncer, segundo ele devido ao tabaco, ele me mostrou as cicatrizes nas costas devido a retirada do pulmão esquerdo, depois me mostrou a boca com feridas. Dizia que o câncer estragou a vida dele e que ele queria morrer, pois estava cansado de sofrer. Não tive reação, não sabia o que dizer. A mulher perguntou ao marido: Onde vamos?. Ele disse, depois de pensar um instante: Para a casa da minha tia, vamos falar que acabamos de sair do hospital.
Aparentemente ele não tinha onde ir, parecia que não tinham um rumo certo a seguir. Ele encostou a cabeça no colo da mulher e dormiu.
Quando ele desceu do ônibus ele disse: - Moça, fica com deus!
Apesar de não adorar esse fundamento religioso, essa cena me marcou, comentei até no grupo em que participo... e gostaria de compartilhar esse fato com vocês.
Vou carregar essa história comigo, da minha coleção de impotência diante das questões que surgem para mim!
Como eu poderia animar a vida deste homem, se ele sofre há muito tempo, aparentemente, e existem diversos fatores propícios para o agravamento, tanto físico como mental. Não posso afirmar nada, porque o que eu observei talvez não seja a realidade!
